Aplicação de óleo ayurvédico no couro cabeludo com conta-gotas durante ritual capilar

Prática ayurvédica milenar volta a ganhar espaço entre quem busca fortalecer o cabelo pela raiz, indo além da tendência de hair oiling que domina as redes sociais

Foto: Divulgação

A oleação capilar ayurvédica propõe um olhar diferente para o cuidado com os cabelos: em vez de concentrar produtos no comprimento e nas pontas, o foco vai direto para o couro cabeludo. A prática, conhecida como Shiro Abhyanga, tem origem na tradição indiana e voltou a ganhar visibilidade nos últimos anos, impulsionada pela tendência de hair oiling nas redes sociais — mas carrega um repertório de conhecimento que vai muito além do gesto de passar óleo antes do banho.

O que é o ritual de Shiro Abhyanga

Segundo Nina Habib, terapeuta ayurvédica e fundadora da Taila Veda, a lógica do ritual é simples de entender: assim como uma planta precisa de cuidado na raiz para crescer forte, o cabelo também depende da saúde do couro cabeludo. Por isso, a oleação não é pensada para encharcar comprimento e pontas, mas para agir diretamente na origem do fio.

A aplicação é feita com conta-gotas, dividindo o cabelo em mechas para alcançar o couro cabeludo com precisão. Depois, a região é massageada suavemente com as pontas dos dedos.

Quanto tempo o óleo deve ficar na cabeça

A recomendação é deixar o óleo agir no couro cabeludo por pelo menos duas horas. Também é possível aplicar à noite e lavar os cabelos apenas no dia seguinte.

A frequência muda conforme a fase do tratamento. Nos primeiros meses, a orientação é repetir o ritual de duas a três vezes por semana. Depois desse período inicial, a prática pode passar para uma fase de manutenção, com aplicação uma vez por semana.

As plantas por trás da tradição

Diferente do hair oiling genérico das redes sociais, a Ayurveda trabalha com óleos preparados a partir de plantas específicas, os chamados tailas. Duas espécies aparecem com frequência nas formulações capilares: Amla (fruto da Phyllanthus emblica) e Bhringaraj, ambas tradicionalmente associadas ao cuidado com os cabelos dentro da medicina ayurvédica.

No óleo Força de Gaya, desenvolvido pela Taila Veda, essas duas plantas aparecem combinadas com babosa e alecrim. Na versão preparada com óleo de gergelim, a fórmula também recebe Brahmi.

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A oleação ayurvédica concentra o cuidado na raiz, e não no comprimento dos fios

A base do óleo também faz diferença

Um ponto pouco discutido nas versões simplificadas da tendência é a escolha da base oleosa. Segundo Nina, o veículo não é neutro: cada óleo-base tem características próprias, que podem ser combinadas com a estação do ano ou com a necessidade individual.

O Força de Gaya é oferecido em duas versões: uma com TCM de coco, de efeito mais refrescante, indicada para períodos mais quentes, e outra com óleo de gergelim, tradicionalmente associado a propriedades mais aquecedoras, recomendada para épocas mais frias.

Constância, não quantidade

Para Nina Habib, o principal equívoco de quem tenta reproduzir a prática apenas pelas redes sociais é acreditar que mais óleo significa mais resultado. “O mais importante para mim é entender que oleação não é excesso de óleo. É constância”, afirma a terapeuta.

Perguntas frequentes

Por quanto tempo o óleo deve ficar no couro cabeludo?

No mínimo duas horas, podendo permanecer durante a noite antes da lavagem.

Com que frequência a oleação deve ser feita?

De duas a três vezes por semana nos primeiros meses, passando para uma vez por semana na fase de manutenção.

É preciso passar o óleo no comprimento do cabelo?

Não. O foco do ritual é o couro cabeludo, sem necessidade de encharcar comprimento e pontas.

Qual a diferença entre os óleos de coco e de gergelim?

O de coco (TCM) tem efeito mais refrescante, indicado para períodos quentes; o de gergelim é mais aquecedor, recomendado para épocas frias.

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