Adolescente estudando em casa enquanto enfrenta dificuldades na rotina escolar.

Pesquisa aponta que 40% dos adolescentes relatam prejuízos nos estudos; especialista explica comportamentos que podem dificultar a aprendizagem e como ajudar os filhos.

Foto: Divulgação/ChatGPT

As discussões na hora de estudar podem esconder dificuldades que vão além da falta de vontade dos adolescentes. Problemas para organizar tarefas, medo de errar e estratégias pouco eficazes de aprendizagem podem transformar a rotina escolar em um momento de tensão dentro de casa.

Uma pesquisa do Instituto Alana, em parceria com a agência Koga, ouviu 505 jovens de 13 a 17 anos e identificou que metade dos adolescentes brasileiros passa mais tempo na internet do que gostaria. Além disso, 40% relatam prejuízos nos estudos e na qualidade do sono.

Os dados ajudam a dimensionar os desafios enfrentados pelos estudantes. Para os pais, observar como os filhos reagem às atividades escolares também pode revelar dificuldades que merecem atenção.

Segundo Victor Cornetta, especialista em desenvolvimento estudantil e fundador da Kaizen Mentoria, três comportamentos podem dificultar a aprendizagem e precisam ser observados pelas famílias.

1. Usar técnicas de estudo pouco eficazes

Grifar trechos de livros e reler páginas são práticas comuns durante a preparação para provas. No entanto, passar horas diante do material não significa necessariamente que o estudante compreendeu o conteúdo.

Um sinal de alerta aparece quando o adolescente não consegue explicar o assunto com as próprias palavras ou responder a perguntas sem consultar o material.

Uma revisão científica publicada em 2013 na revista Psychological Science in the Public Interest analisou dez técnicas de aprendizagem. O trabalho classificou a prática de testes e a distribuição das revisões ao longo do tempo entre as estratégias de maior utilidade. Já a releitura e o grifo, quando utilizados isoladamente, não apresentaram benefícios tão consistentes.

“Pedir que o aluno explique a matéria com as próprias palavras ajuda a perceber se ele realmente compreendeu o assunto. Se não conseguir, isso não deve virar motivo de cobrança, mas um sinal do que precisa ser retomado”, orienta Cornetta.

2. Adiar os estudos porque não sabe por onde começar

Quando uma atividade parece extensa ou difícil, o estudante pode adiar o início dos estudos. A procrastinação, nesse contexto, nem sempre representa falta de interesse ou compromisso.

O receio de não conseguir realizar uma tarefa ou a dificuldade para identificar o primeiro passo podem contribuir para esse comportamento.

Uma alternativa é dividir as atividades em pequenas metas. Em vez de tentar resolver todo o conteúdo de uma vez, o adolescente pode começar revisando um conceito e, em seguida, resolver alguns exercícios.

Os pais podem ajudar incentivando os filhos a escolher a primeira atividade e acompanhar o próprio progresso. A proposta é desenvolver autonomia, sem organizar toda a rotina pelo estudante ou repetir cobranças a cada etapa.

3. Tratar o erro como prova de incapacidade

Uma nota baixa pode levar o adolescente a acreditar que não é capaz de aprender determinada matéria. Frases como “não sou bom em matemática” ou “nunca vou entender isso” podem refletir uma dificuldade que precisa ser identificada.

Esse pensamento também pode fazer com que o estudante evite exercícios mais difíceis, tenha vergonha de tirar dúvidas ou desista diante de obstáculos.

O erro, porém, pode indicar exatamente onde está o problema: na interpretação do enunciado, na lembrança de uma fórmula ou na aplicação de determinado conceito. Identificar essa dificuldade permite direcionar a revisão e evitar que o aluno repita todo o conteúdo sem saber o que precisa melhorar.

“Mais importante do que olhar apenas para a resposta errada é entender como o aluno chegou até ela. Foi uma dificuldade para interpretar a questão, lembrar um conceito ou aplicar o que estudou? Essa análise ajuda a escolher o que precisa ser revisto”, explica Cornetta.

Como os pais podem ajudar na rotina de estudos?

Acompanhar o desempenho escolar não significa fiscalizar cada minuto dedicado aos livros ou cobrar uma nota específica a cada avaliação.

O caminho é observar como o adolescente enfrenta as tarefas, ajudá-lo a reconhecer as próprias dificuldades e oferecer espaço para que encontre soluções.

“Quando o jovem aprende a buscar maneiras de superá-las, passa a assumir gradualmente mais responsabilidade pelos estudos, sem depender o tempo todo da orientação dos adultos”, conclui o especialista.

O diálogo e o incentivo à autonomia podem ajudar a tornar a rotina escolar mais equilibrada, evitando que cada atividade se transforme em motivo de conflito entre pais e filhos.

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