Hario V60, Chemex, prensa francesa, AeroPress, Koar e Clever oferecem diferentes experiências sensoriais e podem destacar características distintas de um mesmo grão
Foto: RJ Castilho
O método de preparo do café influencia aromas, sabores, corpo e intensidade da bebida. Conhecer as diferenças entre equipamentos como Hario V60, Chemex e prensa francesa ajuda a entender como a extração transforma a experiência de uma xícara e permite escolher o preparo mais adequado a cada preferência.
O resultado depende de fatores como o tempo de contato com a água, a moagem, a temperatura e a proporção entre café e água. Mesmo utilizando o mesmo grão, é possível obter bebidas com características sensoriais distintas.
“Quando se muda o método, não necessariamente se muda o café. O que muda é a forma como suas características são extraídas e percebidas”, explica Silvana Buzzi, CEO da Sterna Café, rede especializada em cafés especiais.
Como os métodos filtrados influenciam o sabor do café
Entre os métodos mais conhecidos está o Hario V60, que possui formato cônico, ranhuras internas e uma abertura ampla na parte inferior. Essas características permitem controlar o fluxo da água durante o preparo.
Com o filtro de papel, o método tende a produzir uma bebida de maior clareza, favorecendo a percepção dos aromas, da acidez e das notas mais delicadas do grão.
A Chemex também utiliza filtro de papel, mas seu modelo é mais espesso e retém uma quantidade maior de óleos e partículas. O resultado costuma ser uma xícara leve e limpa, que destaca as características aromáticas do café.
Prensa francesa oferece mais corpo e textura
A prensa francesa funciona de maneira diferente dos métodos filtrados. Nela, o café permanece em contato com a água durante determinado período e, depois, é separado por um filtro metálico.
Como esse filtro não retém os óleos do café da mesma maneira que o papel, uma quantidade maior desses componentes chega à xícara. Isso contribui para uma bebida com mais corpo e textura.
O tempo de extração também influencia a quantidade de cafeína presente na bebida. Segundo Daniela Zaminiani, nutricionista da rede Sterna Café, a cafeína é um composto hidrossolúvel, cuja extração depende de fatores como o tempo de contato entre a água e o café.
Por isso, métodos de infusão, como a prensa francesa, podem favorecer uma extração maior do composto em determinadas condições, embora a quantidade final também dependa da receita, da moagem e da proporção utilizada.
AeroPress, Koar e Clever ampliam as possibilidades
A AeroPress combina imersão, filtragem e pressão manual. Essa flexibilidade permite variar a moagem, o tempo de contato com a água e a pressão aplicada para criar diferentes receitas, desde cafés mais leves até bebidas mais concentradas.
Apesar de utilizar pressão manual, o equipamento não reproduz o mesmo sistema de pressão de uma máquina profissional de espresso.
O Koar também permite explorar diferentes características sensoriais. Seu desenho, com ranhuras que conduzem o fluxo da água, interfere na velocidade da extração e pode contribuir para uma bebida equilibrada, com percepção de doçura e corpo, dependendo do grão e da receita.
Já o Clever combina a infusão com a filtragem por papel. Uma válvula localizada na base mantém a água em contato com o café e libera a bebida quando o equipamento é colocado sobre a xícara.
O resultado tende a reunir parte do corpo associado aos métodos de imersão com a limpeza proporcionada pelo filtro de papel.
O que considerar na hora de escolher o método
Para quem aprecia café especial, conhecer as diferenças entre os equipamentos ajuda a compreender por que duas preparações podem oferecer experiências tão distintas, mesmo quando utilizam o mesmo grão.
Entretanto, o resultado não depende apenas do método. A origem do café, a variedade, o processamento, o perfil de torra, a moagem e a qualidade da água também influenciam a extração.
“Não existe um método que seja melhor para todos os cafés ou para todos os paladares. A escolha depende tanto das características do grão quanto do resultado que se pretende destacar”, afirma Silvana Buzzi.
Experimentar diferentes preparos pode ser uma maneira de descobrir novas nuances de aroma, sabor e textura e compreender melhor as particularidades dos cafés especiais.
Perguntas frequentes
Qual método de preparo deixa o café mais encorpado?
A prensa francesa tende a produzir uma bebida com mais corpo e textura, pois seu filtro metálico permite a passagem de mais óleos do café.
Qual método destaca melhor os aromas do café?
O Hario V60 e a Chemex costumam produzir bebidas mais limpas, favorecendo a percepção das características aromáticas do grão.
A forma de preparar o café influencia a cafeína?
Sim. O tempo de contato com a água, a moagem, a proporção entre café e água e a receita utilizada influenciam a extração da cafeína.
A AeroPress prepara o mesmo tipo de café que uma máquina de espresso?
Não exatamente. Embora permita preparar bebidas concentradas com pressão manual, a AeroPress utiliza um sistema diferente daquele empregado nas máquinas profissionais de espresso.
O que você acha dessa novidade?
Continue acompanhando as notícias da Zona Norte no Universo ZN e compartilhe esta matéria com quem pode se interessar pelo tema.

