Maior projeto cultural da história da FAB reúne cerca de 100 aeronaves e vai ter 10 hangares temáticos em 100 mil m² na Zona Norte de SP
Fotos: Sargento Müller Marin / CECOMSAER
O Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo, ganhou nesta sexta-feira (3) o Museu Aeroespacial Paulista (MAPA), considerado o maior projeto cultural da história da Força Aérea Brasileira (FAB) e um dos cinco maiores museus de aviação militar do mundo. A ativação foi conduzida pelo Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, com a presença de oficiais-generais do Alto-Comando da Aeronáutica e autoridades civis e militares.
O complexo, construído nas imediações do Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP), vai ocupar 100 mil metros quadrados quando estiver totalmente concluído, reunindo um acervo que deve chegar a cerca de 100 aeronaves — fruto da parceria entre a FAB e o Museu Asas de um Sonho.
“Estou convicto de que este museu contribuirá para fortalecer ainda mais a vocação turística e cultural desta vibrante capital, além de despertar o interesse de nossos jovens pelas áreas da ciência, da tecnologia e do setor aeroespacial”, afirmou o Comandante da Aeronáutica na cerimônia.
Por enquanto, apenas o Hangar Zero Uno e parte do Hangar 05 foram entregues — o equivalente a 2% do projeto total. Segundo o Diretor do MAPA, Major-Brigadeiro do Ar Rodrigo Fernandes Santos, a expansão completa do museu deve levar cerca de dois anos e meio.
O que já pode ser visto no Hangar Zero Uno
O circuito começa no Hangar Zero Uno, ambientado do chão ao teto com itens de aviação: miniaturas de aeronaves, capacetes, hélices e até um lounge com assentos ejetáveis, onde o visitante pode sentar e sentir um pouco da experiência de um piloto. O espaço também reúne uma exposição permanente com 36 fotografias de aeronaves, registradas pelo fotógrafo especializado em aviação Suboficial Johnson Barros.
Logo ao lado fica o Salão Azul, com o piso pintado remetendo ao céu e uma maquete do 14-Bis suspensa no teto, como se sobrevoasse o ambiente. O espaço homenageia personalidades da aviação — como Santos Dumont e o Primeiro Ministro da Aeronáutica Salgado Filho —, reúne uma galeria de ex-comandantes da Aeronáutica e expõe uniformes históricos.
Encostado ao Salão Azul está o Salão “De Bagatelle ao Espaço”, com uma réplica do 14-Bis doada pelo paraquedista Luigi Cani, uma linha do tempo com os marcos da aviação nacional e homenagens aos pioneiros do Correio Aéreo Nacional (CAN). O espaço também recebeu, no dia da inauguração, uma exposição sobre o documentário “Aviação Com Elas”, dedicado a histórias de mulheres na aviação brasileira.
Durante o evento, os convidados também puderam conferir um balão de ar quente tripulado da AirBrasil no pátio do museu.

O mural de Mena no Hangar 05
Um dos destaques da inauguração é a fachada do Hangar 05, transformada em um mural de 65 metros de comprimento por 12 metros de altura, assinado pelo artista urbano paulistano Gabriel Menezes, o Mena. A obra, pintada ao longo de 11 dias e inspirada na história da aviação civil e militar, homenageia Santos Dumont e mistura aeronaves antigas e modernas nas cores características do artista. É a primeira obra de Mena feita dentro de um quartel no Brasil — e ele recebeu, na cerimônia, a medalha Mérito da Cultura Tenente-Brigadeiro Deoclécio.
O que vem pela frente: os 10 hangares do MAPA
Quando concluído, o museu terá dez hangares temáticos. Veja o que está previsto para cada um:
- Hangar Zero Uno — já em funcionamento; recepção e primeiro contato com a história da aviação.
- Hangar 02 — área de convivência, com restaurante e infraestrutura de apoio ao visitante.
- Hangar 03 — espaço de acolhimento a visitantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e futura loja institucional do museu.
- Hangar 04 — oficina de restauração e manutenção de aeronaves aberta à visitação, além de exposições temporárias.
- Hangar 05 — já parcialmente aberto, com o mural de Mena na fachada; vai reunir aeronaves em sequência mostrando a evolução da aviação.
- Hangar 06 — atividades do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e do Sistema de Busca e Salvamento (SAR).
- Hangar 07 — defesa aérea, com simulações imersivas de operações de alerta e interceptação.
- Hangar 08 — mirante para observação do Aeroporto Campo de Marte e do PAMA-SP, com área de piquenique.
- Hangar 09 — pesquisa espacial, foguetes, satélites e programa espacial brasileiro, incluindo a participação do astronauta Marcos Pontes.
- Hangar 10 — espaço educativo voltado a escolas, com atividades pedagógicas e simulações audiovisuais.
Há ainda a Área 04 — Safari, dedicada à exposição de aeronaves a céu aberto, também com pontos de piquenique e descanso.
Bastidores: como o museu chegou até aqui
A montagem do complexo mobilizou diferentes unidades da FAB. O Grupamento de Engenharia de Campanha da Aeronáutica (GECAMP) foi acionado com menos de um mês de antecedência para apoiar obras de demolição, terraplanagem e instalação de estruturas metálicas para fixação de aeronaves e equipamentos.
Já o transporte das aeronaves até o Campo de Marte ficou a cargo do Centro de Transporte Logístico da Aeronáutica (CTLA), que percorreu mais de 25 mil quilômetros em 82 dias para levar dez aeronaves ao museu — entre elas o Messerschmitt Bf-109 e o Fokker T-22. Alguns transportes precisaram ser feitos à noite devido ao tamanho das aeronaves, e o helicóptero AH-2 foi apontado como o mais desafiador da operação, por exceder as medidas permitidas para transporte rodoviário.
Por que isso importa para a Zona Norte
Com abertura completa prevista para os próximos anos, o MAPA tende a consolidar o Campo de Marte como polo turístico e cultural da Zona Norte, com potencial de movimentar comércio, gastronomia e serviços do entorno à medida que o projeto avança — um ponto que vale acompanhar de perto.














