Montagem inédita combina história e ficção para abordar racismo, desigualdade e preconceito contra a mulher, com temporada até novembro na Zona Norte de São Paulo.
Foto: Fotos Gutierrez
O Sesc Santana, na Zona Norte de São Paulo, estreia em 16 de outubro o espetáculo Sarah Bernhardt em São Paulo, que recria, com liberdade ficcional, a passagem da célebre atriz francesa pelo Brasil em 1886. Com direção de Ulysses Cruz e dramaturgia de Samir Yazbek, a montagem transforma o episódio histórico em uma reflexão sobre racismo, desigualdade, preconceito contra a mulher e o poder transformador do teatro.
A temporada segue até 22 de novembro de 2026, com apresentações às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos e feriados, às 18h. Os ingressos custam entre R$ 18 e R$ 60.
A peça parte do encontro entre Sarah Bernhardt e estudantes da Academia de Direito de São Paulo, em um período marcado por intensos debates políticos e pelo movimento abolicionista, dois anos antes da abolição oficial da escravatura no Brasil.

Sarah Bernhardt e o Brasil do século 19
Quando Sarah Bernhardt visitou São Paulo, em 1886, a cidade tinha aproximadamente 60 mil habitantes e vivia um período de transformações políticas e culturais.
A montagem aproxima a França cosmopolita representada pela atriz de um Brasil marcado por profundas desigualdades sociais. A partir desse contraste, a narrativa explora os conflitos e as ideias que influenciaram a formação da sociedade brasileira.
Interpretada por Arietha Corrêa, Sarah Bernhardt (1844–1923) foi uma das artistas mais célebres de sua época. Além de atriz, atuou como empresária, escritora e escultora, construindo uma carreira marcada pela independência e pela ruptura com convenções sociais.
Durante sua passagem por São Paulo, apresentou obras como A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas, e Fedra, de Racine.
Peça aborda racismo, desigualdade e emancipação feminina
A história utiliza o encontro da artista com os estudantes para discutir questões que permanecem atuais. Entre os temas estão as relações de poder, o preconceito contra as mulheres e as desigualdades sociais.
“Quando o diretor Ulysses Cruz me contou sobre a visita da atriz Sarah Bernhardt a São Paulo, logo notei que essa história, tão pouco conhecida dos brasileiros, possibilitava um mergulho em temas que marcaram a nossa formação e que continuam ecoando em nossa sociedade”, afirma o dramaturgo Samir Yazbek.
A narrativa também dialoga com a trajetória de Luiz Gama, advogado, jornalista, poeta e importante referência do movimento abolicionista brasileiro.
Entre os personagens estão José Menezes, estudante de Direito que sonha em se tornar dramaturgo e pretende escrever uma peça inspirada em Luiz Gama, e Francisco da Conceição, aspirante a ator que enxerga na presença da artista francesa uma oportunidade de ampliar os negócios da família.
A montagem também apresenta figuras como a pintora Louise Abbéma, o abolicionista Antônio Bento e estudantes de Direito. Segundo a proposta dramatúrgica, esses personagens são recriados artisticamente e não representam necessariamente reproduções fiéis de suas biografias.
Direção contrapõe tradições teatrais
Para o diretor Ulysses Cruz, a visita de Sarah Bernhardt permite explorar o encontro entre diferentes referências culturais e teatrais.
A peça contrapõe tradições do teatro clássico e romântico europeu ao desenvolvimento do teatro realista brasileiro, em um momento de intensos debates sociais e políticos.
O espetáculo também reúne Arietha Corrêa, Ulysses Cruz e Samir Yazbek, artistas que passaram, em diferentes momentos de suas trajetórias, pelo trabalho do diretor Antunes Filho no Centro de Pesquisas Teatrais (CPT) do Sesc São Paulo.
Arietha destaca a identificação com uma personagem que representa uma mulher independente, empreendedora e versátil, além de colocar o próprio teatro no centro da discussão.

Espetáculo terá recursos de acessibilidade
Com 90 minutos de duração e classificação indicativa de 12 anos, a montagem terá apresentações no Sesc Santana até 22 de novembro.
A partir de 23 de outubro, algumas sessões contarão com interpretação em Libras, audiodescrição e recursos táteis, ampliando as possibilidades de acesso para pessoas com deficiência.
Além das apresentações regulares, estão previstas sessões extras em outubro e novembro, incluindo horários à tarde.
Perguntas frequentes
Quando estreia Sarah Bernhardt em São Paulo?
A estreia acontece em 16 de outubro de 2026, no Sesc Santana.
Quanto custam os ingressos?
Os valores são R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia-entrada) e R$ 18 (Credencial Plena).
Quais são os dias e horários das apresentações?
Às sextas e aos sábados, às 20h; aos domingos e feriados, às 18h. Também estão previstas sessões extras às 15h em datas específicas.
O espetáculo oferece acessibilidade?
Sim. A partir de 23 de outubro, algumas apresentações contarão com Libras, audiodescrição e recursos táteis.
Vai ao teatro neste fim de semana?
A estreia de Sarah Bernhardt em São Paulo leva ao palco uma história pouco conhecida e propõe reflexões sobre questões sociais que atravessam gerações. Compartilhe com quem aprecia teatro e história e acompanhe a programação cultural da Zona Norte no Universo ZN.
📌 SERVIÇO
Espetáculo: Sarah Bernhardt em São Paulo
Local: Sesc Santana
Endereço: Avenida Luiz Dumont Villares, 579, Santana, Zona Norte de São Paulo.
Temporada: 16 de outubro a 22 de novembro de 2026.
Horários regulares:
- Sextas e sábados, às 20h.
- Domingos e feriados, às 18h.
Duração: 90 minutos.
Classificação indicativa: 12 anos.
Ingressos:
- Inteira: R$ 60.
- Meia-entrada: R$ 30.
- Credencial Plena: R$ 18.
Sessões extras: 23 e 30 de outubro; 6 e 13 de novembro, às 15h. Também há previsão de sessão extra em 12 de novembro, quinta-feira, às 15h.
Acessibilidade: sessões específicas com Libras, audiodescrição e recursos táteis a partir de 23 de outubro.
Informações: sescsp.org.br/Santana.

