A oftalmologista Dra. Mayra Leite explica como as cores das bengalas identificam diferentes condições visuais e alerta para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) estima que cerca de 1,5 milhão de pessoas são cegas no Brasil, enquanto aproximadamente 4,5 milhões apresentam deficiência visual moderada ou grave, condição conhecida como baixa visão. Segundo a entidade, entre 80% e 90% das causas de deficiência visual seriam evitáveis ou tratáveis com diagnóstico precoce e acompanhamento oftalmológico adequado.
Para pessoas com deficiência visual, a mobilidade e a acessibilidade urbana estão entre os principais desafios. Nesse contexto, a bengala longa é uma ferramenta importante para ampliar a autonomia e a segurança durante os deslocamentos. O instrumento também ajuda a identificar a condição visual de quem o utiliza, permitindo que motoristas e pedestres compreendam a necessidade de atenção e, quando apropriado, ofereçam auxílio.
O que significa cada cor de bengala?
A Lei Federal nº 14.951, de 2024, estabeleceu cores específicas para as bengalas longas utilizadas por pessoas com diferentes condições visuais. A legislação também prevê o fornecimento gratuito desses instrumentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O objetivo é ampliar o reconhecimento das diferentes deficiências, promover a empatia nos espaços públicos e favorecer o oferecimento de ajuda adequada.
Bengala branca: destinada a pessoas com cegueira.
Bengala verde: identifica pessoas com baixa visão, também chamada de visão subnormal.
Bengala vermelha e branca: destinada a pessoas com surdocegueira.
Cegueira e baixa visão podem ter diferentes causas
De acordo com a Dra. Mayra Leite, oftalmologista do H.Olhos, a cegueira e a baixa visão podem ser congênitas, ou seja, estar presentes desde o nascimento, ou surgir ao longo da vida.
“No bebê, entre as causas estão alterações genéticas, infecções pré-natais ou malformações. Em adultos, a perda visual pode ser consequência do avanço de doenças oculares, infecções ou traumas graves e de hábitos de vida, como tabagismo e exposição solar sem proteção, entre outros”, explica a médica.
Prevenção começa nos primeiros dias de vida
Os cuidados com a saúde ocular podem começar logo após o nascimento. Um dos procedimentos importantes é o Teste do Olhinho, geralmente realizado ainda na maternidade. Rápido e indolor, o exame utiliza um feixe de luz projetado na pupila do bebê para identificar alterações que podem estar relacionadas a doenças oculares graves.
A oftalmologista também destaca a importância do pré-natal adequado durante a gestação como medida para prevenir ou reduzir riscos associados a alterações visuais congênitas.
Doenças oculares que podem comprometer a visão
Na vida adulta, especialmente a partir dos 40 anos, aumenta a possibilidade de desenvolver doenças oculares capazes de provocar perda visual. Entre as condições citadas pela Dra. Mayra estão o glaucoma avançado, a retinopatia diabética, a degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e a catarata não tratada.
Embora algumas dessas doenças possam evoluir sem sintomas perceptíveis nos estágios iniciais, o acompanhamento oftalmológico ajuda a identificar alterações e orientar o tratamento adequado.
Glaucoma
As consultas oftalmológicas periódicas, com avaliação da pressão intraocular e exame do fundo de olho, são importantes para detectar precocemente alterações relacionadas ao glaucoma. Para quem já recebeu o diagnóstico, é fundamental seguir o tratamento prescrito e manter o acompanhamento médico, especialmente nos casos avançados.
Retinopatia diabética
A prevenção e o controle da retinopatia diabética envolvem o acompanhamento dos níveis de glicose no sangue, da pressão arterial e do colesterol. Pessoas com diabetes devem realizar avaliações oftalmológicas regulares, incluindo o exame de retina conforme a orientação médica, mesmo quando não apresentam sintomas visuais.
Degeneração macular relacionada à idade
O envelhecimento é um dos principais fatores de risco para a DMRI. Manter hábitos saudáveis, controlar a pressão arterial e utilizar óculos de sol com proteção contra a radiação ultravioleta são medidas que integram os cuidados com a saúde ocular.
Catarata
A catarata ocorre quando o cristalino, a lente natural do olho, perde transparência. A proteção contra a radiação ultravioleta, evitar o tabagismo e não utilizar colírios sem orientação médica estão entre os cuidados recomendados.
O tratamento eficaz é cirúrgico e consiste na substituição do cristalino opaco por uma lente intraocular. A indicação deve ser avaliada pelo oftalmologista.
Acompanhamento médico ajuda a preservar a visão
Segundo a Dra. Mayra Leite, doenças oculares frequentes podem evoluir e provocar perda parcial ou total da visão quando não são identificadas e tratadas adequadamente.
“Quando deixam de ser diagnosticadas e tratadas a tempo, podem evoluir progressivamente e causar perda parcial ou total da visão. Para preservar a saúde ocular, é fundamental que os pacientes mantenham o acompanhamento médico constante e sigam rigorosamente o tratamento”, conclui a oftalmologista.

