Foto: Divulgação
Teste desenvolvido pela Roche Diagnóstica mede a proteína pTau217 no sangue e pode ajudar a identificar alterações associadas ao Alzheimer, reduzindo a dependência de procedimentos mais invasivos na investigação da doença.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro no Brasil do Elecsys® pTau217, exame de sangue desenvolvido pela Roche Diagnóstica para auxiliar na identificação de alterações biológicas associadas à doença de Alzheimer. A tecnologia mede a concentração da proteína Tau fosforilada 217 (pTau217), um biomarcador relacionado à patologia amiloide cerebral.
Projetado para funcionar na plataforma automatizada cobas®, da Roche, o teste oferece uma alternativa minimamente invasiva para apoiar a investigação diagnóstica em pessoas com sinais de declínio cognitivo. A proposta é ajudar os médicos a avaliar a probabilidade de alterações associadas à doença, contribuindo para decisões clínicas mais direcionadas.
Segundo a Roche Diagnóstica, a tecnologia pode ser utilizada em laboratórios que disponham da plataforma compatível. A disponibilidade do equipamento e do exame em cada serviço de saúde depende da estrutura local e da oferta do teste.
Exame pode agilizar a investigação do Alzheimer
A gerente médica da Roche Diagnóstica, Ana Terzian, afirma que a aprovação representa uma mudança importante na investigação da doença no Brasil.
“A liberação do exame pela Anvisa muda a forma como lidamos com a investigação da doença de Alzheimer no Brasil. Durante muito tempo, a confirmação biológica da doença dependia de procedimentos complexos e restritos. Poder identificar essas alterações com uma coleta simples de sangue no laboratório simplifica o diagnóstico e permite tomadas de decisão mais rápidas e assertivas pelos médicos e famílias”, destaca Ana Terzian.
Estimativas globais citadas pela empresa indicam que cerca de 75% das pessoas que vivem com demência permanecem sem diagnóstico formal. Entre aquelas que chegam à confirmação médica, o intervalo médio entre os primeiros sinais de alterações cognitivas e o diagnóstico final pode chegar a 3,5 anos.
Tradicionalmente, a investigação de alterações associadas ao Alzheimer pode envolver exames como a tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT) para avaliar a presença de amiloide ou a análise do líquido cefalorraquidiano, obtido por punção lombar.
De acordo com as informações divulgadas sobre o teste, o Elecsys® pTau217 apresenta desempenho diagnóstico comparável ao de métodos de referência na avaliação da patologia amiloide. Resultados positivos ou negativos podem contribuir para orientar os próximos passos da investigação médica.
Como o teste pode contribuir para o diagnóstico
O exame mede a proteína pTau217 no sangue, um biomarcador associado às alterações cerebrais relacionadas à doença de Alzheimer. A análise pode ajudar a estimar a probabilidade de presença da patologia amiloide em pessoas que apresentam sinais de declínio cognitivo.
O neurologista Dr. Diogo Haddad, coordenador do Centro de Cognição da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, destaca que a possibilidade de obter informações por meio de uma coleta de sangue pode reduzir parte das dificuldades enfrentadas durante a investigação clínica.
“A dúvida sobre a causa de uma perda de memória gera um desgaste imenso para o paciente e quem está ao redor. O exame de pTau217 traz respostas mais objetivas logo no início dos sintomas. Ele nos ajuda a descartar a doença de Alzheimer rapidamente ou a confirmar a suspeita sem a necessidade de submeter a pessoa a procedimentos invasivos, além de, em casos positivos, iniciar tratamentos precocemente”, ressalta o neurologista.
O resultado, porém, deve ser interpretado por um profissional de saúde no contexto da avaliação clínica. O exame é uma ferramenta de apoio diagnóstico e não deve ser entendido como substituto automático de toda a investigação médica. A indicação e a necessidade de exames complementares dependem de cada caso.
Parceria busca ampliar o acesso ao diagnóstico
O desenvolvimento do exame envolveu uma cooperação global entre a Roche Diagnóstica e a Eli Lilly and Company. A iniciativa busca facilitar a incorporação do teste aos fluxos laboratoriais e ampliar as possibilidades de investigação da doença para além dos grandes centros especializados.
Segundo Luiz André Magno, diretor executivo da Área Médica da Lilly Brasil, a ampliação do acesso é especialmente relevante diante do número de pessoas que convivem com demência sem diagnóstico. De acordo com o dado citado pela empresa, cerca de 83% das pessoas com mais de 60 anos que vivem com demência no Brasil ainda não teriam recebido um diagnóstico.
“O lançamento do Elecsys® pTau217 marca um passo concreto para o diagnóstico da doença de Alzheimer no Brasil. Um simples exame de sangue tem o potencial de tornar essa investigação muito mais acessível fora dos grandes centros especializados. Com a chegada de novas terapias para fases iniciais, identificar a patologia amiloide no momento certo passou a ser parte fundamental do cuidado com o paciente”, avalia Luiz André Magno.
Para Ana Terzian, o lançamento também reflete a importância de aproximar o diagnóstico dos avanços nas opções terapêuticas para a doença.
“Na Roche Diagnóstica, entendemos o diagnóstico como parte de um ecossistema completo de cuidado da doença Alzheimer. Por isso, atuamos lado a lado com instituições que estão trazendo novas opções terapêuticas ao mercado. Unir esforços na área da saúde é o caminho para oferecer um diagnóstico preciso, um acompanhamento contínuo e, acima de tudo, mais qualidade de vida para os pacientes”, conclui.
A aprovação do Elecsys® pTau217 amplia as ferramentas disponíveis para a investigação da doença de Alzheimer no Brasil. A expectativa é que o uso do biomarcador contribua para tornar a jornada diagnóstica mais ágil, sempre associado à avaliação médica e às necessidades de cada paciente.

