“Quase uma Estória – Água Parada que Sumiu no Buraco” estreia em outubro e questiona narrativas sobre a formação do Brasil
Foto: Ronald Gutierrez
A Cia Triptal estreia, em 8 de outubro, no Teatro Alfredo Mesquita, em Santana, na Zona Norte de São Paulo, o espetáculo “Quase uma Estória – Água Parada que Sumiu no Buraco”. A montagem inédita marca os 35 anos de atuação contínua do grupo e terá ingressos gratuitos.
Protagonizada por Fabrício Pietro, Maiara Astarte e Victor Barros, a peça investiga as narrativas do Brasil Colonial que chegaram ao presente por meio de vozes historicamente autorizadas a contá-las.
A montagem parte de um diálogo com “O Sumidouro”, de Jorge Andrade (1922-1984), mas propõe uma inversão da lógica histórica e documental da obra para abrir espaço a saberes e memórias ancestrais preservados pela cultura da oralidade.
Uma história contada por outras perspectivas
Segundo o diretor e encenador Fabrício Pietro, que também integra o elenco, a proposta é revelar lacunas presentes na narrativa colonial e trazer à cena uma perspectiva contemporânea sobre a chamada “história oficial”, especialmente a partir de vozes indígenas e femininas.
A dramaturgia acompanha três personagens colocados diante de diferentes relações com a História.
Vicente, interpretado por Fabrício Pietro, é um dramaturgo que pretende revisitar a trajetória dos bandeirantes e revelar as contradições de Fernão Dias. Ao tentar questionar a narrativa oficial, porém, ele passa gradualmente a perceber que também está envolvido na mesma estrutura de poder que procura denunciar.
José Dias, vivido por Victor Barros, é atravessado pelo conflito entre sua origem indígena e o universo dos bandeirantes. O personagem experimenta no próprio corpo questões relacionadas a pertencimento, identidade e violência colonial.
Já Martha, interpretada por Maiara Astarte, começa a narrativa como funcionária da casa de Vicente e leitora silenciosa de seu manuscrito. Aos poucos, ela deixa o lugar de observadora para se tornar uma interlocutora crítica, reivindicando o direito de narrar a própria experiência.

Vozes que deslocam o centro da narrativa
A partir do confronto entre os personagens, a peça amplia a discussão sobre representação e experiência para questões relacionadas às vozes indígenas, às mulheres, aos corpos, aos afetos e aos desejos.
Nesse movimento, a questão política se transforma em ação dramática. Enquanto Vicente perde gradualmente o controle sobre a história que pretendia contar, José Dias e Martha deslocam o centro da narrativa e fazem surgir outras maneiras de olhar, lembrar e produzir conhecimento.
A montagem questiona, assim, quem tem o direito de falar sobre a formação da identidade brasileira e propõe uma cena capaz de reunir diferentes origens, experiências e pertencimentos.
A investigação também busca integrar atores, artistas e sujeitos de diferentes territórios, valorizando seus saberes, corpos, memórias e perspectivas.
Diálogo com Jorge Andrade
A aproximação com a obra de Jorge Andrade é um dos pontos centrais da montagem. Para André Garolli, a atualidade do dramaturgo está na possibilidade de fazer o passado voltar a questionar o presente.
Segundo Garolli, a dramaturgia de Andrade aborda temas como famílias, classes sociais, relações de poder, transformações econômicas, deslocamentos, conflitos territoriais, violência e processos de apagamento.
Em “O Sumidouro”, a discussão sobre os bandeirantes e a construção dos heróis nacionais permite questionar versões consagradas da História e observar como determinadas narrativas se tornam oficiais.
A presença de José Dias, personagem marcado pela mestiçagem e por conflitos culturais e raciais, amplia essa discussão sobre a formação da identidade brasileira. É a partir dessa perspectiva que a Cia Triptal aproxima a obra de Jorge Andrade de questões contemporâneas.
35 anos de trajetória
A estreia também marca os 35 anos de atuação contínua da Cia Triptal no teatro paulistano.
Ao longo da trajetória, o grupo teve seu trabalho reconhecido por premiações como APCA, Shell, APETESP e Mambembe, entre outras.
Com a nova montagem, a companhia retoma questões relacionadas à formação do Brasil para discutir quem conta a História, quais vozes permanecem à margem e como diferentes memórias podem ocupar o espaço da cena.
Sinopse
Neste país de narrativas apagadas e distorcidas, o que é Estória e o que é História? Temos nos organizado a partir de qual perspectiva ou narrativa? Qual cosmovisão consideramos diante da pergunta: quem somos nós?
Perguntas frequentes
Quando estreia “Quase uma Estória – Água Parada que Sumiu no Buraco”?
O espetáculo estreia em 8 de outubro no Teatro Alfredo Mesquita, em Santana, na Zona Norte de São Paulo.
Quanto custa o ingresso?
As sessões têm entrada gratuita, com retirada do ingresso uma hora antes do espetáculo.
Até quando a peça fica em cartaz?
A temporada acontece de 8 de outubro a 1º de novembro.
Quais são os horários das apresentações?
As sessões regulares acontecem de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h. Também foram confirmadas sessões extras em 22/10, às 14h30; 28/10, às 20h; e 29/10, às 14h30.
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📌 SERVIÇO
Quase uma Estória – Água Parada que Sumiu no Buraco
Data: De 08 de outubro a 01 de novembro
Horários: Quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h
Sessões extras: 22/10, às 14h30; 28/10, às 20h; 29/10, às 14h30
Ingressos: Gratuitos, com retirada 1 hora antes do espetáculo
Local: Teatro Alfredo Mesquita
Endereço: Av. Santos Dumont, 1770 – Santana – São Paulo/SP

