Especialista explica por que a Síndrome do Olho Seco se agrava no inverno, destaca os principais fatores de risco e orienta sobre os cuidados para preservar a saúde ocular.
Foto: Magnific
A Campanha Julho Turquesa reforça a conscientização sobre a Síndrome do Olho Seco, uma doença ocular que costuma se intensificar durante o inverno devido à baixa umidade do ar e ao aumento da poluição. Sintomas como ardência, vermelhidão, lacrimejamento, sensação de areia nos olhos, secura e visão embaçada merecem atenção e podem indicar a necessidade de avaliação com um oftalmologista.
Segundo a Dra. Myrna Serapião, oftalmologista especialista em doenças da superfície ocular e diretora médica da Vision One, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e preservar a qualidade da visão.
“A Síndrome do Olho Seco ocorre pela falta de lubrificação adequada do olho, seja pela produção insuficiente de lágrimas ou pela evaporação acelerada do filme lacrimal. Quando deixa de ser tratada, a condição pode causar, nos casos mais graves, dano à visão e comprometimento da qualidade de vida do paciente”, explica a especialista.
Por que o inverno agrava os casos de olho seco?
De acordo com a médica, durante os meses mais frios, a baixa umidade do ar, associada ao aumento da poluição, favorece a evaporação das lágrimas, reduzindo a proteção natural da superfície ocular.
Outro fator importante é a Disfunção das Glândulas de Meibômio (DGM), responsáveis pela produção da camada oleosa da lágrima. Quando essas glândulas não funcionam adequadamente, a evaporação do filme lacrimal ocorre de forma mais rápida, aumentando o desconforto ocular.
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Conheça os principais fatores de risco
A Dra. Myrna Serapião destaca que diversos fatores podem favorecer o desenvolvimento da Síndrome do Olho Seco.
Entre os principais estão:
- Envelhecimento, que reduz a produção e a qualidade das lágrimas;
- Disfunção das Glândulas de Meibômio, aumentando a evaporação do filme lacrimal;
- Uso de medicamentos, como antialérgicos, ansiolíticos, anti-hipertensivos e remédios para controle do colesterol;
- Menopausa, devido às alterações hormonais;
- Uso excessivo de celulares, computadores, tablets e televisão, que reduz a frequência do piscar;
- Rosácea e outras doenças dermatológicas;
- Doenças reumatológicas, como a Síndrome de Sjögren, que compromete a produção das lágrimas.
Uso intenso de telas também aumenta o problema
O aumento do tempo em frente às telas tem contribuído significativamente para o crescimento dos casos de olho seco.
Segundo a especialista, ao utilizar celulares, computadores e tablets por longos períodos, as pessoas piscam menos vezes, prejudicando a lubrificação natural dos olhos e acelerando a evaporação das lágrimas.
Esse comportamento tem feito com que a doença seja cada vez mais frequente, principalmente entre adultos acima dos 40 anos e mulheres.
Milhões de pessoas convivem com a doença
A médica lembra que o avanço no conhecimento científico sobre a doença foi consolidado pelo relatório internacional TFOS DEWS II (Tear Film & Ocular Surface Society Dry Eye Workshop II), publicado em 2017, que definiu a Síndrome do Olho Seco como uma doença multifatorial caracterizada pela perda do equilíbrio do filme lacrimal.
Estudos citados pela especialista indicam que a condição afeta entre 5% e 50% da população mundial. No Brasil, a estimativa é que entre 12% e 24% dos brasileiros convivam com o problema.
Como parte dos investimentos na área, a rede Vision One anunciou que lançará ainda neste semestre, em São Paulo, o Instituto de Superfície Ocular, dedicado ao diagnóstico e tratamento especializado da doença.
Como prevenir o olho seco
Segundo a Dra. Myrna Serapião, algumas medidas simples ajudam a reduzir os sintomas e prevenir o agravamento da doença:
- Beber água regularmente;
- Reduzir o tempo de exposição às telas;
- Evitar o fluxo direto do ar-condicionado nos olhos;
- Manter uma alimentação equilibrada;
- Adotar hábitos de vida saudáveis;
- Procurar um oftalmologista ao perceber sintomas persistentes.
A especialista reforça que o olho seco é uma doença crônica e que o tratamento adequado melhora a lubrificação dos olhos, reduz o desconforto e contribui para uma visão mais saudável.
Perguntas frequentes
Quais são os sintomas do olho seco?
Ardência, vermelhidão, sensação de areia, lacrimejamento, secura, desconforto e visão embaçada estão entre os sintomas mais comuns.
O inverno aumenta os casos de olho seco?
Sim. A baixa umidade do ar e o aumento da poluição favorecem a evaporação das lágrimas, agravando a doença.
O uso de telas pode causar olho seco?
O uso prolongado de celulares, computadores e tablets reduz a frequência do piscar, comprometendo a lubrificação natural dos olhos.
Quando procurar um oftalmologista?
Sempre que os sintomas forem frequentes ou persistentes, é importante realizar uma avaliação especializada para diagnóstico e tratamento.
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