Decisão desta quinta-feira (20) suspendeu a garantia de permanência de Fernando José Moredo na presidência; caso envolve apuração interna e acusações feitas por funcionárias
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Decisão da Justiça
A Justiça de São Paulo revogou, nesta quinta-feira (20), a decisão que havia autorizado Fernando José Moredo, 85 anos, presidente do grupo Trasmontano Saúde, a permanecer no comando da instituição enquanto uma apuração interna sobre acusações de natureza sexual estava em andamento.
Segundo as informações apresentadas no processo, ao menos quatro funcionárias fizeram relatos à comissão interna criada pelo grupo para investigar as acusações. Os depoimentos teriam começado no fim de maio e envolvem profissionais que ocupam ou ocuparam funções como gerência, assessoria e análise.
A decisão mais recente ocorreu após representantes da empresa relatarem à Justiça que, depois de retornar ao Hospital Igesp, onde fica seu escritório, Moredo teria adotado condutas consideradas intimidatórias em relação a funcionários envolvidos na apuração.
De acordo com os relatos apresentados ao Judiciário, ele teria ameaçado rescindir contratos de denunciantes e articulado nomeações dentro da organização. Essas alegações fazem parte do conjunto de informações que está sendo analisado no caso.
Entenda a apuração
A comissão interna formada pelo grupo Trasmontano decidiu pelo afastamento de Moredo da presidência em maio. Os relatos apresentados pelas funcionárias incluem alegações de comentários de teor sexual, tentativas de toques não desejados e perguntas sobre aspectos da vida íntima e matrimonial.
Segundo os depoimentos citados no caso, algumas situações teriam ocorrido durante anos. Uma das testemunhas afirmou que episódios de assédio teriam se prolongado por aproximadamente 25 anos.
Ainda conforme esse relato, funcionárias teriam criado estratégias para evitar situações de isolamento, como interromper reuniões individuais de Moredo com colaboradoras e impedir que jovens aprendizes permanecessem sozinhas com ele.
Uma das acusações também menciona o uso de expressões de teor sexual para se referir a um grupo de funcionárias. Há ainda relatos que apontam para comentários considerados racistas.
As acusações, entretanto, são negadas pela defesa de Moredo, que sustenta que o empresário é vítima de uma articulação para afastá-lo da presidência.
O que diz a defesa de Moredo
Os advogados de Fernando José Moredo afirmam que não foram apresentadas provas dos crimes sexuais atribuídos ao empresário e sustentam que a apuração interna teria sido conduzida de maneira irregular.
A defesa também afirma que não teve acesso integral aos relatos, documentos e gravações utilizados na investigação interna.
O advogado Miguel Silva afirmou que a primeira denunciante teria procurado outras funcionárias para apresentar declarações contra Moredo. Segundo ele, as acusações seriam uma forma de retaliação após divergências profissionais.
Silva também informou que pretende contestar a decisão desta quinta-feira. Segundo o advogado, a medida representaria uma suspensão parcial das atividades do empresário e deverá ser questionada no tribunal.
Já o advogado Miguel Machado, que atua na defesa na área cível, afirmou que o procedimento administrativo interno não apresentou, até então, provas que tenham chegado ao conhecimento da defesa.
Decisões judiciais recentes
Na semana passada, o juiz Fernando José Cúnico, da 40ª Vara Cível, havia determinado a suspensão do procedimento interno de apuração para permitir que a defesa de Moredo tivesse acesso aos documentos relacionados ao caso.
A decisão também determinou o afastamento de um integrante da comissão, após uma acusação de ameaça de morte contra o presidente do grupo Trasmontano.
Na segunda-feira (17), a defesa informou à Justiça que Moredo havia sido impedido por funcionários de entrar no Hospital Igesp, onde mantém seu escritório. A polícia chegou a ser acionada.
Diante da situação, o magistrado autorizou, na terça-feira (18), que o empresário exercesse novamente as funções de presidente do grupo.
Segundo informações apresentadas posteriormente pela empresa à Justiça, após retornar ao hospital, Moredo teria constrangido funcionários envolvidos na apuração e tentado destituir advogados.
Com base nesses novos relatos, o juiz revogou nesta quinta-feira a decisão que garantia a permanência do empresário no comando da instituição.
Caso também chegou ao Ministério Público
Além da apuração interna, novos relatos foram encaminhados ao Ministério Público, que recebeu uma notícia-crime relacionada ao caso.
As acusações ainda estão sob análise e as alegações apresentadas pelas funcionárias são contestadas pela defesa de Moredo. A situação judicial e os procedimentos internos poderão ter novos desdobramentos.
A trajetória do Trasmontano Saúde
Fundado em 1932, o grupo Trasmontano Saúde surgiu com o objetivo de oferecer assistência a imigrantes portugueses em São Paulo.
A instituição atualmente controla a rede de unidades do Hospital Igesp, formada, segundo as informações fornecidas, por dois hospitais e cinco unidades de pronto atendimento.
O grupo também atua no segmento de planos de saúde e mantém uma instituição de ensino voltada à área médica.
Moredo está à frente da organização há aproximadamente 30 anos e participou do processo de expansão do grupo.
Perguntas frequentes
O que a Justiça decidiu nesta quinta-feira (20)?
A Justiça de São Paulo revogou a decisão que havia permitido a Fernando José Moredo permanecer no exercício da presidência do grupo Trasmontano durante a apuração do caso.
As acusações contra Moredo já foram comprovadas?
Não. As acusações estão sendo apuradas e são contestadas pela defesa do empresário, que afirma não ter tido acesso integral aos documentos e que não existem provas dos crimes atribuídos a seu cliente.
O caso está sendo investigado apenas internamente?
Não. Além da comissão interna criada pelo grupo Trasmontano, informações sobre o caso também chegaram ao Ministério Público, que recebeu uma notícia-crime.
A defesa pretende recorrer?
Sim. O advogado Miguel Silva informou que a defesa pretende contestar a decisão judicial que retirou a garantia de permanência de Moredo no cargo.
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