Lambedura excessiva pode estar relacionada a alergias, parasitas, ferimentos, infecções ou alterações comportamentais
Foto: Freepik
Uma lambida ocasional nas patas faz parte do comportamento dos cães. O alerta surge quando o animal passa a lamber a região repetidamente ou por longos períodos, principalmente se o hábito provoca vermelhidão, feridas ou perda de pelos.
Segundo Flávia Paiffer, professora do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, a lambedura excessiva não deve ser automaticamente considerada uma “mania”.
“Quando o comportamento se torna frequente, é importante observar o animal e a região afetada. A lambedura pode estar relacionada a diferentes alterações, desde uma irritação localizada e problemas dermatológicos até alterações sistêmicas ou comportamentais”, explica.
A veterinária destaca que a identificação da causa é fundamental para interromper o ciclo de lambedura e orientar o tratamento adequado.
1. Alergias podem provocar coceira nas patas
As alergias estão entre as possíveis causas de coceira e lambedura excessiva das patas. Elas podem estar relacionadas a fatores ambientais, como ácaros e pólen, ou a outros agentes que precisam ser investigados individualmente.
Além das lambidas, o tutor pode observar vermelhidão, coceira em outras regiões do corpo e alterações na pele ou entre os dedos.
A lambedura constante também pode provocar escurecimento dos pelos da região devido à ação da saliva.
2. Parasitas também podem causar desconforto
Pulgas, carrapatos e alguns tipos de ácaros podem provocar coceira, inflamação e desconforto nos cães.
Mesmo quando o tutor não consegue visualizar o parasita, sua presença ou uma reação às picadas pode fazer com que o animal coce ou lamba determinadas regiões com frequência.
Por isso, a ausência de pulgas ou outros parasitas visíveis não descarta uma possível causa parasitária.
3. Ferimentos e corpos estranhos
Espinhos, pequenas pedras, farpas e outros objetos podem ficar presos entre os dedos ou nas almofadas das patas.
Cortes, fissuras, queimaduras provocadas pelo contato com superfícies quentes e outros machucados também podem fazer com que o cachorro concentre as lambidas em uma única pata.
Quando o comportamento começa repentinamente, é importante observar cuidadosamente a região. A orientação é não tentar retirar objetos profundos nem manipular uma lesão dolorosa.
4. Infecções e inflamações na pele
Alterações na barreira cutânea e o excesso de umidade podem favorecer a proliferação de microrganismos, como bactérias e fungos, especialmente quando existe uma doença de base.
Além da lambedura, podem aparecer sinais como mau cheiro, vermelhidão, descamação, inchaço, dor, secreção ou mudanças na aparência da pele.
A própria lambedura constante pode manter a região úmida e irritada, contribuindo para a piora da inflamação e do desconforto.
Esse ciclo pode dificultar a cicatrização e favorecer o surgimento de infecções secundárias.
5. Estresse, ansiedade ou tédio
Nem toda lambedura excessiva tem origem exclusivamente física. Alguns cães podem desenvolver comportamentos repetitivos diante de situações de estresse, ansiedade, falta de estímulos ou mudanças na rotina.
No entanto, uma causa comportamental não deve ser presumida antes da investigação de outras possibilidades, como doenças, dores, alergias, infecções e outras alterações no organismo.
Por isso, a avaliação da origem do comportamento é importante antes de definir qualquer conduta.
Quando procurar um veterinário?
Se o cão lambe as patas ocasionalmente e não apresenta outras alterações, o comportamento pode fazer parte da higiene habitual.
Já quando a lambedura se torna frequente ou persistente, principalmente acompanhada de feridas, inchaço, perda de pelos, secreção, mau cheiro, dor ou dificuldade para apoiar a pata, é importante procurar avaliação veterinária.
Também não é recomendado utilizar pomadas, medicamentos ou receitas caseiras sem orientação profissional. O tratamento adequado depende da identificação da causa.
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