Campanha Julho Amarelo reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento das hepatites virais para reduzir os casos da doença.
Foto: Divulgação
O Julho Amarelo, campanha dedicada à conscientização sobre as hepatites virais, chama a atenção para um problema que pode passar despercebido por muitos anos: as hepatites B e C estão entre as principais causas do câncer de fígado em todo o mundo. Especialistas alertam que o diagnóstico precoce e a prevenção são fundamentais para reduzir o número de casos e evitar complicações graves.
Segundo dados da American Cancer Society, a incidência do câncer de fígado triplicou desde 1980, enquanto a taxa de mortalidade pela doença dobrou no mesmo período. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 12.350 novos casos por ano no triênio 2026-2028, sendo 7.340 em homens e 5.010 em mulheres.
As hepatites virais provocadas pelos vírus B e C figuram entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença, além de poderem causar cirrose hepática, condição que compromete o funcionamento do fígado.
Como ocorre a transmissão das hepatites B e C
Segundo Artur Rodrigues Ferreira, oncologista da Oncoclínicas, as hepatites B e C podem ser transmitidas por meio de relações sexuais sem preservativo, compartilhamento de agulhas contaminadas, transfusões de sangue, uso compartilhado de objetos de higiene pessoal, como lâminas de barbear e alicates de unha, além da transmissão da mãe para o bebê durante o parto.
O especialista destaca que a prevenção é uma das principais formas de reduzir os casos.
“A vacina contra hepatite B é oferecida gratuitamente pelo SUS. Além disso, apesar de não existir uma vacina para a infecção pelo vírus C, os novos tratamentos, também oferecidos de forma gratuita na rede pública, possuem chance de cura em cerca de 90% dos casos”, explica.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 304 milhões de pessoas vivem com hepatite B ou C em todo o mundo.
Outros fatores que aumentam o risco de câncer de fígado
Embora as hepatites virais sejam uma das principais causas da doença, outros fatores também podem favorecer o desenvolvimento do câncer de fígado.
Entre eles estão:
- Cirrose hepática;
- Diabetes;
- Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA);
- Hemocromatose e Doença de Wilson, doenças hereditárias que provocam acúmulo de ferro ou cobre no organismo;
- Exposição a aflatoxinas, produzidas por fungos que contaminam alimentos armazenados inadequadamente;
- Consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
Hepatite sempre evolui para câncer?
Segundo o oncologista, a resposta é não.
“Felizmente, as hepatites B e C, apesar de serem fatores de risco, não determinam obrigatoriamente o desenvolvimento do câncer. Apenas uma parcela dos pacientes evolui para a doença. Ainda assim, adotar medidas preventivas é essencial para reduzir essas estatísticas”, afirma Artur Rodrigues Ferreira.
Quais são os sintomas do câncer de fígado?
Nos estágios iniciais, o câncer de fígado costuma ser silencioso.
Quando aparecem, os principais sinais podem incluir:
- Emagrecimento sem causa aparente;
- Perda do apetite;
- Dor na parte superior do abdômen;
- Náuseas e vômitos;
- Fraqueza e fadiga;
- Inchaço abdominal (ascite);
- Presença de massa abdominal;
- Icterícia, caracterizada pela pele e pelos olhos amarelados;
- Fezes esbranquiçadas.
A presença desses sintomas não confirma o diagnóstico, mas deve motivar a procura por avaliação médica.
Como é feito o diagnóstico
Por ser uma doença que frequentemente evolui sem sintomas, o diagnóstico precoce pode ser um desafio.
Segundo o especialista, exames de rastreamento não são indicados para toda a população, mas são recomendados para pessoas com cirrose hepática ou hepatite B crônica, por exemplo.
Entre os exames que podem ser solicitados estão:
- Exames de sangue, incluindo avaliação da função hepática e do marcador tumoral alfa-fetoproteína (AFP);
- Ultrassonografia;
- Tomografia computadorizada;
- Ressonância magnética;
- Biópsia, quando indicada;
- Cirurgia laparoscópica, em situações específicas.
Tratamento depende das características de cada paciente
O tratamento do carcinoma hepatocelular, tipo mais comum de câncer de fígado, varia conforme o estágio da doença e as condições clínicas do paciente.
Entre as opções terapêuticas estão:
- Cirurgia para remoção do tumor;
- Transplante hepático;
- Ablação e embolização hepática;
- Radioembolização;
- Imunoterapia;
- Terapias-alvo;
- Quimioterapia, em situações específicas.
Segundo o oncologista, a definição do tratamento deve ocorrer após avaliação de uma equipe multidisciplinar.
Perguntas frequentes
A vacina contra hepatite B é gratuita?
Sim. A vacinação contra a hepatite B é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Existe vacina contra hepatite C?
Não. Atualmente não existe vacina contra a hepatite C, mas há tratamentos disponíveis na rede pública com altas taxas de cura.
Toda pessoa com hepatite desenvolverá câncer de fígado?
Não. As hepatites B e C aumentam o risco, mas nem todos os pacientes evoluem para o câncer.
Quais pessoas devem conversar com o médico sobre rastreamento?
Segundo o especialista, pessoas com cirrose hepática ou infecção crônica pelo vírus da hepatite B podem necessitar de acompanhamento específico.
Essa informação pode ser útil para você
Compartilhe esta matéria com familiares e amigos. A prevenção, a vacinação e o diagnóstico precoce das hepatites virais podem salvar vidas. Continue acompanhando o Universo ZN para mais conteúdos sobre saúde e qualidade de vida.
👉 Leia também: Confira outras reportagens sobre prevenção, bem-estar e saúde publicadas pelo Universo ZN — www.universozn.com.br

