Carteira de vacinação precisa ser revisada em todas as fases da vida; idade, gravidez, condições de saúde e histórico vacinal influenciam as recomendações
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A vacinação na vida adulta continua sendo essencial para prevenir doenças e reduzir o risco de complicações. Mesmo quem recebeu as principais vacinas na infância precisa verificar se há doses ou reforços pendentes. Segundo a infectologista Dra. Tassiana Galvão, da Santa Casa de São Roque, falta de informação, rotina corrida e falsa sensação de proteção estão entre os motivos que levam adultos a negligenciar a carteira de vacinação.
De acordo com o Ministério da Saúde, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) contempla diferentes fases da vida, incluindo crianças, adolescentes, adultos, idosos, gestantes e grupos específicos, com vacinas disponibilizadas conforme as recomendações de cada público.
“A vacinação do adulto muitas vezes é negligenciada porque existe a falsa percepção de que, após a infância, a pessoa já está protegida ou não precisa mais receber doses”, explica a médica, que atua em unidade gerenciada pelo Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” (CEJAM).
A especialista também alerta que perder a carteira de vacinação não significa necessariamente precisar começar todo o esquema novamente. O ideal é procurar uma unidade de saúde, apresentar os registros disponíveis e receber orientação profissional sobre as doses necessárias.
Casos de sarampo reforçam a importância da vacinação
A manutenção da cobertura vacinal é fundamental para prevenir o retorno da circulação de doenças que já estiveram controladas no Brasil. O sarampo é um exemplo: o país mantém o status de eliminação da circulação endêmica, mas ainda pode registrar casos importados e transmissões associadas a essas introduções.
Em 2025, um surto no Tocantins registrou 25 casos de sarampo. Segundo o Ministério da Saúde, 84% dos casos ocorreram em uma comunidade com baixa cobertura vacinal, na qual nenhum dos indivíduos tinha registro de vacinação contra a doença.
“Quando a cobertura vacinal diminui, aumentam as chances de surgirem bolsões de pessoas suscetíveis. Isso favorece a transmissão de doenças e pode afetar especialmente crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com o sistema imunológico comprometido”, afirma a Dra. Tassiana.
Quais vacinas devem ser acompanhadas em cada fase da vida?
O calendário vacinal varia conforme a idade, o histórico de doses, a profissão, a gestação, a presença de doenças crônicas e outros fatores. Por isso, a avaliação individual é importante para identificar as vacinas indicadas e os reforços necessários.
Adolescentes e jovens
Nessa fase, é importante verificar as vacinas contra HPV, hepatite B, febre amarela e meningocócicas, além de outros imunizantes previstos no calendário.
A vacina contra o HPV é recomendada de rotina para crianças e adolescentes, mas também pode ser indicada para pessoas mais velhas que se enquadrem em estratégias específicas ou grupos prioritários.
Adultos de 25 a 59 anos
O Calendário Nacional de Vacinação de 2026 prevê, conforme o histórico vacinal, a atualização das vacinas contra hepatite B, difteria e tétano, febre amarela e tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
A vacina dupla adulto (dT), contra difteria e tétano, exige atenção aos reforços. Para quem completou o esquema básico, a recomendação geral é receber uma dose de reforço a cada dez anos, com antecipação para cinco anos em situações de exposição a risco.
“A vacina contra o tétano é um exemplo de proteção que muitas pessoas deixam de acompanhar. Como a doença pode estar relacionada a ferimentos e não é transmitida de pessoa para pessoa, existe a falsa sensação de que o risco é distante”, explica a infectologista.
A tríplice viral também merece atenção. Conforme o calendário de 2026, são indicadas duas doses para pessoas de até 29 anos e uma dose entre 30 e 59 anos, de acordo com o histórico vacinal. Para profissionais de saúde, a recomendação é de duas doses, independentemente da idade.
Gestantes
A vacinação deve ser avaliada desde o início do pré-natal. O calendário de 2026 inclui imunizantes contra hepatite B, difteria e tétano, influenza e covid-19, além da vacina dTpa, indicada a partir da 20ª semana de gestação, em cada gravidez.
A vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) é indicada a partir da 28ª semana de gestação, com o objetivo de proteger o bebê contra complicações como bronquiolite e pneumonia nos primeiros meses de vida. A vacinação contra febre amarela durante a gravidez exige avaliação individual, considerando o risco epidemiológico e a relação entre benefícios e riscos.
“Antes e durante a gravidez, a atualização vacinal protege a pessoa gestante e contribui para a proteção do bebê. Algumas vacinas estimulam a produção de anticorpos que são transferidos pela placenta e ajudam a reduzir o risco de doenças nos primeiros meses de vida”, explica a médica.
Pessoas com 60 anos ou mais
Na terceira idade, é importante manter atualizadas as vacinas contra hepatite B, difteria e tétano, conforme o histórico vacinal. A indicação de imunizantes contra febre amarela e de outras vacinas depende das condições individuais e dos critérios do calendário.
O Ministério da Saúde recomenda uma dose anual contra influenza e, para pessoas com 60 anos ou mais, uma dose contra covid-19 a cada seis meses, conforme o calendário vigente.
A vacina pneumocócica 23-valente é indicada pelo SUS para públicos específicos, incluindo idosos acamados ou institucionalizados que não tenham histórico vacinal adequado e povos indígenas, conforme os critérios oficiais.
“Com o envelhecimento, algumas infecções podem apresentar maior risco de complicações e hospitalização. Manter a vacinação em dia é uma medida de prevenção que contribui para preservar a autonomia, a qualidade de vida e a segurança da pessoa idosa”, afirma a infectologista.
Como atualizar a carteira de vacinação?
A recomendação é levar a carteira de vacinação, física ou digital, a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou a um serviço de vacinação. Mesmo quem perdeu o documento deve procurar orientação profissional e informar, na medida do possível, quais doses já recebeu.
O profissional de saúde poderá avaliar o histórico disponível, a idade, doenças anteriores, uso de medicamentos, gestação, profissão e planos de viagem para indicar as vacinas necessárias.
Não é preciso esperar uma campanha para conferir a situação vacinal. As vacinas previstas no Programa Nacional de Imunizações são oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme os critérios de cada imunizante.
“A vacinação deve fazer parte da rotina de cuidados, assim como o acompanhamento da pressão arterial, dos exames preventivos e das consultas médicas. Não é preciso esperar uma emergência sanitária ou uma viagem para conferir a carteira. A melhor hora para atualizar a proteção é antes que a doença apareça”, conclui a Dra. Tassiana.
Perguntas frequentes
Perdi minha carteira de vacinação. Preciso começar tudo de novo?
Não necessariamente. Procure uma unidade de saúde para verificar os registros disponíveis e receber orientação sobre as doses que precisam ser atualizadas.
Onde posso tomar vacinas gratuitamente?
As vacinas previstas no calendário do SUS são oferecidas gratuitamente nas unidades de saúde, conforme a indicação e os critérios de cada imunizante.
Adultos precisam tomar reforço contra o tétano?
Sim. Para quem completou o esquema básico, a recomendação geral é uma dose de reforço a cada dez anos, com antecipação em determinadas situações de risco.
Gestantes precisam atualizar as vacinas?
Sim. A vacinação deve ser avaliada durante o pré-natal, considerando as vacinas indicadas para cada fase da gestação e o histórico vacinal.
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