GHK-Cu, peptídeo de cobre utilizado em produtos de cuidados com a pele

Peptídeo de cobre desperta interesse por seu possível papel na firmeza e na reparação da pele; especialistas explicam benefícios, combinações e cuidados antes da compra

Foto: Reprodução/Internet

A popularização das rotinas de cuidados com a pele coreana, conhecidas como K-beauty, despertou a curiosidade por ativos que prometem melhorar a firmeza, a textura e o viço. Entre eles está o GHK-Cu, peptídeo de cobre encontrado em séruns e cremes e estudado por sua participação nos processos de reparação da pele.

Apesar de ganhar espaço nas conversas sobre beleza coreana, o GHK-Cu não é uma descoberta originária da Coreia. Trata-se de um complexo formado por três aminoácidos ligados ao cobre, identificado nos rótulos pelo nome Copper Tripeptide-1, ou tripeptídeo de cobre-1.

“O nome parece de laboratório, mas o GHK-Cu é algo que o nosso próprio corpo produz. É uma molécula bem pequena, formada por três aminoácidos, que são os ‘tijolinhos’ das proteínas, unidos a uma partícula de cobre”, explica Tatianne Morais (@tatimorais.oficial), farmacêutica e bioquímica.

Segundo a dermatologista Rafaella Caruso (@dra.rafacaruso), da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o interesse pelo ativo está relacionado ao seu possível papel na formação de colágeno e na remodelação da pele. As evidências, entretanto, ainda exigem cautela.

“Apesar de o mecanismo biológico ser bastante interessante e os resultados iniciais serem promissores, ainda não dá para colocar o GHK-Cu no mesmo nível de evidência de ativos como retinoides, por exemplo”, afirma a especialista.

As profissionais esclarecem cinco dúvidas para quem pensa em incluir o peptídeo de cobre na rotina de skincare.

1. Quais benefícios o GHK-Cu pode oferecer à pele?

Linhas finas, perda de firmeza e alterações na textura estão entre as características investigadas nos estudos com GHK-Cu.

“Ele é especialmente interessante para quem começa a perceber a pele ‘cansada’: linhas finas, perda de firmeza, textura menos lisa e aquele viço que não é mais o mesmo”, afirma Tatianne.

Isso não significa que o ativo seja indicado para todas as pessoas. A escolha depende das necessidades da pele, da formulação e dos demais produtos utilizados. O peptídeo também não substitui o protetor solar.

2. Como incluir o produto na rotina de cuidados?

Em uma rotina com sérum de GHK-Cu, uma sequência possível é começar pela limpeza, aplicar o sérum e finalizar com hidratante. Durante o dia, a proteção solar completa os cuidados.

A ordem e a frequência devem respeitar as instruções do fabricante e a orientação do dermatologista. “Pode ser usado de manhã e/ou à noite, mas eu prefiro à noite”, orienta Tatianne.

Rafaella ressalta que ainda não existe consenso científico sobre a concentração ideal ou sobre a necessidade de aplicação uma ou duas vezes ao dia. Portanto, aumentar a quantidade ou a frequência por conta própria não garante melhores resultados.

3. É seguro combinar GHK-Cu com ácidos e retinoides?

Ácido hialurônico, ceramidas e niacinamida podem fazer parte da rotina com o peptídeo de cobre, dependendo da formulação e da tolerância da pele. Já a associação com ácidos esfoliantes, vitamina C pura e retinoides merece atenção.

Para simplificar os cuidados, Tatianne sugere separar os horários da vitamina C pura e do GHK-Cu, além de alternar as noites de uso dos ácidos esfoliantes.

“Se associado a retinoides e ácidos, pode aumentar a chance de sensibilização da pele e irritação”, explica Rafaella. A dermatologista ressalta, porém, que a recomendação de separar as aplicações é uma medida de cautela, e não uma regra comprovada por ensaios clínicos para todas as combinações.

4. O que observar antes de comprar um produto com GHK-Cu?

O nome Copper Tripeptide-1 ajuda a identificar o ativo na composição. Entretanto, sua presença no rótulo, a cor azul do produto ou uma porcentagem em destaque não demonstram, isoladamente, a eficácia do cosmético.

Não há uma concentração única estabelecida pelos estudos como ideal para todos os produtos. A estabilidade do ingrediente e o conjunto da formulação também precisam ser considerados.

Antes de comprar, vale conferir a procedência, a validade, o modo de uso e as orientações de conservação. “O GHK-Cu é um ativo delicado e a fórmula faz toda a diferença”, destaca Tatianne.

5. Quem precisa ter cuidados especiais?

Fotografar o rosto antes de começar a usar o produto e repetir o registro com a mesma iluminação pode ajudar a acompanhar possíveis mudanças ao longo do tempo.

Ardor, vermelhidão ou desconforto persistente são sinais para interromper o uso e buscar orientação profissional.

Pessoas com rosácea, dermatites ou pele sensível precisam de avaliação antes de incluir o ativo na rotina. Gestantes e lactantes também devem conversar com o médico, já que faltam dados suficientes de segurança para essas fases.

As especialistas reforçam ainda que cosméticos com GHK-Cu são destinados ao uso externo e não devem ser injetados.

“O segredo está na constância, numa rotina coerente e, sempre, no protetor solar”, conclui Tatianne.

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