Alimentação saudável com frutas e vegetais relacionada à saúde mental e ao humor

Estudos mostram que a qualidade da dieta está relacionada ao funcionamento cerebral, ao equilíbrio emocional e à regulação do humor

Foto: Depositphotos

A alimentação e saúde mental estão relacionadas a processos que influenciam o funcionamento do cérebro, o humor, o sono e a concentração. Estudos apontam que o padrão alimentar pode estar associado à intensidade de sintomas emocionais e contribuir para a regulação do humor.

Segundo a nutricionista e psicóloga Flávia Lucena, a relação entre alimentação e saúde mental acontece de forma conjunta. Uma dieta equilibrada pode favorecer o funcionamento cerebral, enquanto padrões alimentares inadequados podem aumentar a vulnerabilidade emocional.

“A ciência mostra que o padrão alimentar pode modular risco, intensidade de sintomas e qualidade do funcionamento cerebral”, explica a especialista.

Qualidade da alimentação e funcionamento cerebral

Flávia destaca que dietas com maior presença de alimentos in natura ou minimamente processados, como vegetais, frutas, leguminosas, oleaginosas, peixes e fontes de gorduras insaturadas, estão associadas a melhor regulação metabólica, menor inflamação sistêmica e menor risco de sintomas depressivos e ansiosos.

Por outro lado, uma alimentação baseada em ultraprocessados, excesso de açúcar e gorduras de baixa qualidade pode estar relacionada a mais fadiga, pior cognição e maior instabilidade emocional.

A especialista ressalta, porém, que essas associações não significam que um determinado alimento isoladamente cause ou cure problemas de saúde mental. O que importa é o padrão alimentar como um todo.

Como a alimentação interfere no cérebro

Os impactos de uma alimentação inadequada podem ocorrer por diferentes mecanismos. O excesso de açúcar e farinhas refinadas, por exemplo, pode provocar oscilações de glicose e insulina.

Essas variações podem ser acompanhadas por queda de energia, irritabilidade, fome intensa e dificuldade de concentração, especialmente quando fazem parte de um padrão alimentar desequilibrado.

“Quando há desequilíbrios frequentes no corpo, o funcionamento dos processos mentais tende a piorar. Além disso, muitos ultraprocessados favorecem inflamação crônica de baixo grau e estresse oxidativo, processos que afetam áreas do cérebro ligados ao humor, à memória e ao controle emocional”, afirma Flávia.

Outro ponto importante é que uma dieta de baixa qualidade pode fornecer calorias sem oferecer, na mesma proporção, os nutrientes necessários para o organismo.

Entre os nutrientes envolvidos em diferentes processos relacionados ao cérebro estão ômega 3, vitaminas do complexo B, magnésio, ferro, vitamina D, zinco, proteínas e aminoácidos.

A conexão entre intestino e cérebro

A comunicação entre intestino e cérebro é outro campo de estudo da chamada neurociência nutricional. Essa relação envolve diferentes vias, incluindo o sistema nervoso, processos inflamatórios, hormônios relacionados ao estresse e substâncias produzidas pela microbiota intestinal.

A microbiota é formada por microrganismos que vivem no intestino e participam de processos como a digestão. Segundo Flávia, esses microrganismos também estão envolvidos na produção de compostos relacionados à regulação da inflamação e à comunicação com o sistema nervoso central.

“A microbiota intestinal tem papel central nesse processo, pois esses microrganismos participam da produção de compostos que ajudam a regular inflamação e influenciam a comunicação com o sistema nervoso central. Quando a alimentação é pobre em fibras e rica em ultraprocessados, pode ocorrer desequilíbrio desses microrganismos, gerando um efeito em cadeia”, explica.

Uma alimentação diversificada, com presença de frutas, verduras, legumes e outras fontes de fibras, contribui para uma dieta mais variada e para o fornecimento de nutrientes importantes ao organismo.

Emoções também influenciam o que comemos

A relação entre alimentação e saúde mental não acontece somente em uma direção. O estado emocional também pode interferir diretamente nas escolhas alimentares.

Segundo a especialista, fome, emoções, rotina, privação de sono, estresse e contexto social podem influenciar o comportamento alimentar.

“Alimentação não é guiada apenas por fome fisiológica. Ela também responde a emoções, rotina, privação de sono, nível de estresse e contexto social. Sob estresse crônico, o organismo tende a buscar respostas rápidas de recompensa e alívio, aumentando o desejo por alimentos mais palatáveis”, explica.

Esse mecanismo ajuda a entender por que mudanças na alimentação podem ser difíceis em períodos de maior estresse ou desgaste emocional.

Por isso, o cuidado não deve se limitar a uma lista de alimentos permitidos ou proibidos. Sono, rotina, comportamento alimentar, emoções e contexto de vida também precisam ser considerados.

Alimentação não substitui tratamento de saúde mental

Apesar dos avanços nas pesquisas sobre nutrição e cérebro, Flávia reforça que a alimentação não deve ser considerada substituta de tratamentos indicados para transtornos psicológicos ou psiquiátricos.

A nutrição pode fazer parte de uma abordagem integrada de saúde, contribuindo para o fornecimento de nutrientes e para o funcionamento adequado do organismo.

A avaliação individual também é importante, já que necessidades nutricionais, condições de saúde, rotina e hábitos alimentares variam de pessoa para pessoa.

“Saúde mental também é bioquímica, e o cérebro precisa de nutrientes adequados para funcionar bem”, conclui Flávia.

Perguntas frequentes

A alimentação pode realmente influenciar o humor?

Sim. Estudos relacionam padrões alimentares à saúde cerebral, à regulação metabólica e a aspectos do funcionamento emocional. A alimentação, entretanto, é apenas um dos fatores envolvidos na saúde mental.

Ultraprocessados podem prejudicar a saúde mental?

O consumo elevado de ultraprocessados está associado, em estudos observacionais, a diferentes desfechos desfavoráveis de saúde. A relação com sintomas emocionais deve ser interpretada considerando o padrão alimentar e outros fatores de estilo de vida.

Quais alimentos são importantes para uma alimentação equilibrada?

Frutas, verduras, legumes, leguminosas, oleaginosas, peixes, proteínas e outras opções in natura ou minimamente processadas podem fazer parte de uma alimentação variada e equilibrada.

Alimentação substitui tratamento psicológico ou psiquiátrico?

Não. Como destaca a especialista, a alimentação pode integrar os cuidados com a saúde, mas não substitui tratamentos psicológicos ou psiquiátricos indicados por profissionais de saúde.

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📌 ATENÇÃO

Para orientações individualizadas sobre alimentação, saúde mental ou condições específicas de saúde, procure profissionais habilitados, como nutricionistas, psicólogos e médicos, conforme a necessidade.

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